segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Fica mais leve se cada um pegar de um lado.



Eu tinha o costume de reclamar da vida.

Infelizmente, cresci acreditando que ninguém gostava de quem eu sou.
Esses sentimentos foram despertados e alimentados dentro do seio familiar.
Minha lógica dizia que se nem a minha família era capaz de me amar..
Ninguém mais poderia. Eu era um caso perdido.

Com o tempo, aprendi a conviver com essa marca de timidez.
É claro que solidão sempre dói em algum momento. Sempre doeu. 
Apesar de muitas vezes ter desejado sumir da face da Terra..
Sempre havia um motivo pra viver, um algo pra lutar.

Então as razões começaram a diminuir depois de algumas percas.
Não que as marcas da ridicularização tivessem me abandonado.
Pelo contrário, elas armaram a tenda e resolveram ficar.
Agora eu seria ridicularizado por meus medos.

Tive vergonha de dizer o que eu sentia. Era mais um motivo de riso.
Eu era sempre o estranho, isolado e vegetal em todo canto.
O medo me levou ao isolamento. Não abri espaço pra ser "ajudado".
E aqueles que tentaram à força, me machucaram mais no processo.

Minha mais recente perda foi, no entanto, um verdadeiro marco.
Eu havia prometido continuar a lutar e fazer o meu melhor.
Algumas coisas, portanto, precisavam de sérias reformas.
Tudo mudou de verdade na minha vida. Tudo.

Finalmente me afastei das coisas que me carregavam negativamente.
Trabalhei minha auto-imagem. Cortei livros, músicas, filmes depressivos.
Mudei de emprego, de namorada, de casa. Até meu cabelo mudou.
Voltei a trabalhar em projetos pessoais antigos. Coisas de infância.

Minha noiva? Ela foi a primeira prova de que minha lógica estava errada.
Através dela também conheci pessoas que me aceitaram sem julgar.
Rafa (um pouco mais relutante em me receber) e Ruth, pestes. ♥
Foi preciso que tudo isso acontecesse pra eu chegar até O Clube.

Clube da piPoca com quem eu muito abertamente compartilhei o pior de mim.
Sim, o pior. E pra minha surpresa aceitaram. 
Tanto fez de onde eu vim, minha aparência, opção sexual ou classe social.
Elas me aceitaram com tudo o que há de pior em mim.

Através de suas cargas intelectuais e emocionais, eu aprendi muito.
Muitas das coisas ali ditas me fizeram lembrar de alguma faceta da minha vida.
O que me fez pensar que pela primeira vez não me sentia realmente sozinho.
Eu senti que alguém de fato poderia me compreender de alguma forma.

Estranho como um pensamento despretensioso me levou a elas.
De fato, nunca me passou pela cabeça que tudo isso aconteceria.

Apesar de nossas agendas apertadas..
Espero que onde quer que vocês estejam.. 
Entre livros e contos..
Fazendo o que estiverem fazendo..

Não permitam que o isolamento vença.
Sempre haverá um espaço pra derramar as cargas.
Elas parecem mais leves quando as carregamos em conjunto.

We're infinite.

Ouvindo  agora: Pretty Unpretty - Glee Version