Oi, eu sou Bas. Mas isso você já sabe.
E se não sabe, sinta-se à vontade pra me conhecer.
Preciso escrever sobre mim. Ideia idiota do meu terapeuta.
Tenho certeza que pessoas encontram diversas maneiras de me definir.
Um apelido ou outro. Também há teorias sobre eu ser um gato, literalmente.
Tanto faz. De fato, nem eu sei me definir. Se é que existe definição.
Essa questão existencial é meio intensa, não? Ser ou não ser... blablabla.
Pra ser sincero, faz pouco tempo desde que comecei a buscar essa resposta.
Autoconhecimento é a chave pra estabelecer e alcançar objetivos. Dizem.
É engraçado quando você se pergunta: "Quem sou eu?"
Sua resposta hoje pode não ser a mesma de ontem ou de alguns anos atrás.
Isso depende de ritmo e reação. Não, espera... é, é isso mesmo.
Há pessoas que raramente mudam, mas quando o fazem é definitivo.
Também há quem relute em mudar, mas o faz de vez em quando.
E há pessoas como eu. Aqueles que estão constantemente se adaptando.
Por causa disso, talvez eu não seja mais o Bas que você conheceu um dia.
Eu nunca soube se há um limite permitido de mudanças internas.
Tudo que sei é que eu mesmo não me reconheço em alguns momentos.
Há uma diferença grande entre quem eu era e quem eu sou.
Isso me apavora em alguns momentos. Não que tudo seja ruim.
Mas é difícil olhar pra dentro e não ter uma relação de familiaridade consigo.
Eu fiz, pensei e senti coisas que hoje parecem muito distante de mim.
Como se fosse um filme da vida de um desconhecido. Alheio.
Às vezes tenho a sensação de que acabei de nascer. O antes é um borrão.
Chega um momento da terapia em que você volta pra casa pensando:
"E se aquilo nunca tivesse acontecido? Eu ainda seria quem sou hoje?"
Eu pensei nisso muitas vezes. Dormi muitas vezes remoendo os fatos.
Se meu pai não tivesse sido alcoólatra, ciumento e agressor...
Se ele tivesse conseguido superar seus próprios fantasmas...
Se ele não tivesse saído de casa... quem eu seria?
Se minha mãe não fosse rígida, perfeccionista e crítica...
Se ela tivesse me dado liberdade pra ser e aprender...
Se não tivesse destruído minha auto-estima... quem eu seria?
Se eu não tivesse tantas imagens negativas da infância na memória...
Se as pessoas não tivessem feito tanta piada as minhas custas...
Se eu não tivesse sofrido abuso sexual... quem eu seria?
A verdade é que eu nunca vou saber realmente.
O que sei é no que me tornei diante dessas circunstâncias.
Sei o quanto isso influenciou em minhas escolhas.
A terapia, porém, me ensina a pensar não somente no que sou.
Mas também no que eu quero ser. Posso escolher como reagir à vida.
Então se alguém perguntar quem eu sou. Minha resposta é:
Sou resultado da mistura entre as circunstâncias da vida e minhas escolhas.
Eu sou não mais uma vítima do mundo, sou consciente.
Eu sou um ser em constante aprimoramento, sou emergente.
Ouvindo agora: Soul Meets Body - Death Cab For Cutie
